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Desafios em torno do envelhecimento nas pessoas que vivem com VIH

Desafios em torno do envelhecimento nas pessoas que vivem com VIH

A ViiV Healthcare apoiou na organização de um simpósio satélite pela Clinical Care Options Independent Medical Education, intitulado “Conversations on healthy aging with HIV”, cujo painel de palestrantes foi constituído por três profissionais de saúde e três pessoas que vivem com VIH, oriundas de diferentes regiões e comunidades, para contribuir para a discussão em torno do envelhecimento e das melhores abordagens para minimizar barreiras e maximizar a qualidade de vida dos doentes. Esta foi uma sessão interativa que contou com vários momentos de televoto por parte da assistência.

Co-presidido pelo Dr. Jonathan Appelbaum, professor de Medicina Interna na Florida State University College of Medicine (Estados Unidos da América) e pela Dr.ª Melanie Reese, enquanto especialista e pessoa que vive com VIH, o simpósio foi desenhado de forma a que, no final, os participantes fossem capazes de “integrar uma compreensão dos desafios não médicos enfrentados por idosos com VIH ao conceber intervenções de saúde nesta área, quer para indivíduos, quer nas comunidades; aplicar as melhores práticas na abordagem à infeção VIH e das complicações associadas à doença, comorbilidades e polifarmácia; implementar abordagens para minimizar as barreiras nos cuidados para a infeção VIH em mulheres idosas e em idosos que vivem em ambientes com recursos limitados”.
Depois de um início marcado por cinco momentos de televoto, com o objetivo de conhecer melhor a assistência, a sessão seguiu com a partilha de um caso clínico de um homem de 68 anos a viver com infeção VIH, contagens de T CD4+ de 584 células/mm3, carga viral indetetável, hipertensão, dores de cabeça crónicas e depressão, que se apresentou nos cuidados de saúde primários para um checkup de rotina e com novas queixas de tonturas, exame físico normal e sinais vitais estáveis, FRAIL score situado no 3, e cuja medicação era de BIC/FTC/TAF, lisinopril 20 mg/dia, hidroclorotiazida 25 mg/dia e amitriptilina 25 mg/dia.
“Uma completa reconciliação terapêutica foi completada na última visita do doente, há 6 meses. Deverá ser repetida nesta visita?”. Esta foi a primeira questão colocada por televoto, tendo a maioria da assistência (59%) escolhido a opção “Sim, devido às novas queixas de tonturas”. Deixando o anúncio da resposta certa para o final, a sessão seguiu com mais duas questões: “Com que frequência discute a solidão e o isolamento social com os seus doentes infetados pelo VIH com 50 ou mais anos de idade?” e “Com que frequência discute a saúde sexual com as suas doentes que vivem com VIH com 50 ou mais anos de idade?”. “Algumas vezes” foi a principal resposta para ambas as perguntas.
De seguida, teve início uma palestra sobre “viver enquanto idoso com infeção VIH”, por parte de Marc Thompson, ativista da prepster.info, que partilhou alguns dados do “UNAIDS 2014 Gap Report”, bem como dados de 2018, dos Estados Unidos da América que mostram que 51% das pessoas com VIH tinham 50 anos ou mais, e que 17% dos novos casos de infeção foram em pessoas na mesma faixa etária. “Um modelo baseado nos Países Baixos estimaram que cerca de 70% das pessoas com VIH terão 50 anos ou mais em 2030”, afirmou, continuando: “Temos uma população que continua a crescer e a envelhecer, mas mesmo neste grupo, há duas coisas distintas a acontecer. Muitos, como eu, diagnosticados há muito anos e que vivem com o VIH, e outros que estão a entrar agora na comunidade VIH numa idade já mais avançada, o que traz as suas próprias questões e preocupações”.
Durante a sua intervenção, Marc Thompson apontou alguns dos obstáculos que a pessoa que vive com VIH tem de ultrapassar – raça, orientação sexual, identidade de género, status socioeconómico, cultura e migração – e referiu: “Se a isto tudo acrescentarmos a idade, há uma nova interseção. Se tirássemos o VIH de tudo isto, todas as interseções referidas anteriormente também têm impacto em como experienciamos o envelhecimento. Portanto, podemos ver desde já que há muitos aspetos aqui, para nós que vivemos com VIH e que estamos a envelhecer, que devem ser considerados na nossa prática e em termos do nosso bem-estar mental”.
O ativista sublinhou ainda que, dentro do grupo de pessoas que vivem com infeção VIH, “as pessoas mais idosas têm maior probabilidade de sofrer depressão, isolamento social, solidão e rejeição, assim como outcomes clínicos adversos”, tendo tudo isto impacto na saúde mental e com tendência a agravar consoante se vai envelhecendo.
Além destes aspetos, Marc Thompson realçou que com os avanços e o sucesso das terapêuticas antirretrovirais, os cuidados de saúde da pessoa com VIH mudaram, deixando muitos deles de serem seguidos por especialistas na área, para serem somente acompanhados por médicos gerais e familiares. “Eu, por exemplo, em Londres, vejo o meu infeciologista uma vez por ano, se tiver sorte”, afirmou, continuando: “Com o aparecimento de comorbilidades, é normal sermos vistos por especialistas de Medicina Geral e Familiar. Mas estarão eles preparados para lidarem com as minhas comorbilidades e infeção VIH?”.
“Precisamos de mais investigação, precisamos de mais dados e mais informação, precisamos de continuar a abordar o estigma e melhores serviços de apoio para garantir que todos nós que vivemos com VIH podemos envelhecer bem e com qualidade de vida”, concluiu Marc Thompson, tendo havido uma conversa em torno de tudo o que foi dito pelo ativista, com partilha de experiências e de relatos sobre isolamento social, com enfoque no aspeto racial e das várias comunidades de pessoas mais vulneráveis.
A segunda parte do simpósio foi dedicada às “considerações sobre os cuidados médicos em doentes idosos”, tendo o Dr. Jonathan Appelbaum focado a sua palestra na polifarmácia, nas multimorbilidades e na fragilidade inerente à idade.
Sobre o primeiro ponto, lembrou que a polifarmácia se define como o uso de cinco ou mais fármacos e que o aumento da medicação está muitas vezes associado a uma diminuição da adesão e a um aumento do cansaço relacionado com a carga de comprimidos, com o aumento do risco adverso de eventos e da interação medicamentosa e, finalmente, de mortalidade.
Quanto às multimorbilidades, o Dr. Jonathan Appelbaum destacou que “são mais comuns nas pessoas que vivem com VIH devido à interseção entre a doença, os fatores de risco associados ao estilo de vida, à polifarmácia, à inflamação crónica e à ativação imunitária”, estando tudo isto associado “a um maior risco de mortalidade e fragilidade”. “O tratamento de uma doença por impactar os outcomes de outras comorbilidades e, portanto, uma abordagem holística deverá ser pensada e dada de forma a gerir melhor as multimorbilidades de cada doente”, afiançou.
Finalmente, sobre a fragilidade o Dr. Jonathan Appelbaum lembrou que é uma “condição caracterizada pelo declínio das reservas fisiológicas e pelo aumento da suscetibilidade aos fatores externos”, sendo o principal fenótipo a “perda de peso, a fadiga, o baixo nível de atividade e a marcha lenta”. “As quedas, o atraso na recuperação das doenças e/ou das quedas, o enorme declínio funcional, as hospitalizações que resultam no agravamento dos outcomes e a mortalidade” foram as consequências referidas pelo orador, que, de seguida, colocou uma questão à audiência: “Com que frequência faz o rastreio da fragilidade no doente que vive com VIH?”, cuja maioria (39%) respondeu “nunca”.
Perante este cenário, o Dr. Jonathan Appelbaum terminou partilhando uma tabela com as melhores práticas para cada um dos tópicos abordados anteriormente e que, em suma, preveem a “revisão da medicação a cada consulta, a reconciliação terapêutica pelo menos anualmente, o planeamento de cuidados avançados e o rastreio da fragilidade em doentes com 50 ou mais anos de idade, a cada 1-2 anos”. O especialista voltou a lançar a primeira questão relativa à repetição da reconciliação terapêutica no doente o caso clínico apresentado inicialmente e desta vez, 20% da assistência respondeu “Sim, porque a reconciliação terapêutica deve ser completada a cada seis meses” e 80% das pessoas responderam que “sim, devido às novas queixas de tonturas”, sendo esta a resposta certa porque, “neste caso, as novas queixas de tonturas podem dever-se a eventos adversos associados à medicação, às interações medicamentosas ou medicamento-doença, entre outras coisas. Por outro lado, a amitriptilina é um fármaco potencialmente prejudicial em doentes idosos”.
A última parte do simpósio foi centrado nas mulheres que vivem com VIH e os principais desafios vivenciados pelas mesmas que, além de todos os já referidos anteriormente, acrescem “a menopausa, a perda de densidade óssea, as doenças do foro feminino e a falta de rastreio ginecológico, bem como a ausência de um diálogo com os profissionais de saúde sobre a sua sexualidade”.

 

segunda-feira, 08 agosto 2022 17:39
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