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VIH, hepatite B e C: qual o atual panorama e o que falta fazer?

VIH, hepatite B e C: qual o atual panorama e o que falta fazer?

Durante uma sessão inteiramente dedicada ao “HIV and co-infections”, a Prof.ª Doutora Marina Klein, professora de Medicina na McGill University em Montreal (Canadá), proferiu uma palestra intitulada “Triple elimination: HIV, HCV, HBV”, na qual deu a conhecer a atual realidade para as três infeções e o que é necessário fazer para se atingir as metas estabelecidas para o controlo e eliminação das mesmas.

Para contextualizar o tema, a Prof.ª Doutora Marina Klein começou por explicar o significado de “eliminação” no âmbito do VIH e das hepatites virais: “Redução da incidência da infeção/doença até deixar de ser uma ameaça de saúde pública, algo que implica medidas contínuas de prevenção e controlo para não fazer reemergir as mesmas”.

 

“Quais são os ingredientes chave para a eliminação? Em primeiro lugar, testes simples que consigam detetar infeções ativas de forma precisa e com baixo custo, que possam ser “passados” para as mãos de quem, efetivamente, está sob risco para fazerem autotestes quando, onde e as vezes que quiserem”, descreveu a especialista, continuando: “Depois, um tratamento que cure, mas que esteja disponível e tenha um custo acessível. Por outro lado, vacinas preventivas de baixo custo e fáceis de administrar e/ou uma vacina terapêutica específica, particularmente para o caso da infeção VIH ou da hepatite B. E, por último, apostar na prevenção que deve ser acessível, segura e amplamente disponível sem estar associada a qualquer tipo de estigma”.

 

De seguida, a Prof.ª Doutora Marina Klein deu a conhecer a realidade atual para cada uma das infeções, em termos de testes, tratamento, prevenção e cura:

  • VIH: “Temos as análises ao sangue e os autotestes que continuam a ser um problema. Fiquei muito satisfeita o anúncio sobre a expansão do autoteste no meu país [Canadá]. Isto torna tudo muito mais fácil para chegarmos a populações vulneráveis que ainda não foram diagnosticadas; temos tratamentos altamente eficazes, simples e cada vez mais disponíveis, mas este é para a vida toda e o acesso a terapêuticas de segunda linha ainda é um problema em muitos países; sabemos como prevenir o VIH, mas a implementação de medidas continua a ser um desafio; e, finalmente, o Santo Graal é ter uma cura e todas as pessoas que vivem com VIH estão à espera disso”;
  • Hepatite B: “Existem testes e estão disponíveis. Mas o número de médicos dos cuidados de saúde primários que me contactam para entender as diferenças nos testes serológicos é bastante impressionante; existe tratamento para as pessoas que vivem com hepatite B, mas a terapêutica crónica é necessária para a maioria dos doentes e a falta de acesso ao tenofovir quando não se tem coinfecção por VIH é bastante impressionante em muitos países; em termos de prevenção, existe vacina, mas faltam rastreios para controlar o risco de eventuais carcinomas associados à infeção; e, também neste caso, a cura não existe, embora existam muitas atividades de investigação nesta área recentemente”;
  • Hepatite C: “Existem testes, mas precisamos de um teste de RNA para confirmar a infeção crónica e isso vai tornar-se cada vez mais importante porque uma vez que as pessoas são tratadas, elas deixam de ser infecciosas. E a população que está cronicamente infetada torna-se menor e cada vez mais difíceis de encontrar; no que diz respeito ao tratamento, sofreu avanços tremendos, mas abranger populações vulneráveis e expandir a mesma para lá dos centros de especialidade, continua a ser uma meta a atingir; infelizmente, não existe vacina e continuamos a ter medidas inadequadas na redução de danos para muitas das drogas que as pessoas usam, sendo que a criminalização do uso de drogas é, claramente, uma grande barreira para atingir a eliminação da hepatite C; e a cura existe, mas ainda é muito cara para um grande número de pessoas”.

Ainda sobre o atual panorama, a Prof.ª Doutora Marina Klein acrescentou que, para a hepatite B, “apenas 43% das pessoas recebem a dose de vacinação ao nascimento e dados mais recentes mostram que ocorrem cerca de 890 mil mortes por ano”; para a hepatite C, “apenas 21% das pessoas são diagnosticadas e apenas 62% delas são tratadas, o que resulta em aproximadamente 297 mil mortes por ano”; e por fim, para o VIH, “ocorreram 1,5 milhões de novas infeções e morrem cerca 680 mil pessoas por ano devido às complicações associadas à infeção”.

 

“Estaremos nós a estabelecer metas irrealistas em saúde pública?”, questionou a palestrante antes de explicar que é possível “motivar a ação, mobilizar parceiros, atrair financiamento e concentrar nossos esforços”. “Contudo, se nos concentrarmos demais nesses objetivos e não conseguirmos alcançá-los, podemos estar a arruinar a credibilidade nos objetivos traçados”, sublinhou.

 

Posto isto, para terminar, a Prof.ª Doutora Marina Klein salientou que “ter ferramentas e metas de eliminação não é suficiente”. “Precisamos de outras coisas para atingirmos, de facto, os nossos objetivos: compromisso, investimento sustentado, redução de custos, acesso equitativo e, a meu ver, envolvimento com e das comunidades”.

quinta-feira, 04 agosto 2022 17:17
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